No domingo à tarde. Logo após ver o último jogo do dia pela Copa do Mundo, Pedro decidiu conferir o final da festa junina que estava acontecendo na pequena capela do bairro onde mora. Queria ver a fogueira de São João.
Deu sorte, quando chegou, o pessoal recém estava acendendo o fogo. Enquanto as chamas cresciam lentamente, lembrou de algumas festas juninas de seu tempo de criança.
A mais antiga, que hoje é praticamente um borrão em sua memória, foi uma que sua vó o levou. Ele era bem novo, provavelmente ainda não havia completado dez anos. A única lembrança que ele tem desta festa é que em determinado momento o pessoal que estava organizando o evento anunciou que quem dançasse uma música ganharia um presente. Quando se deu conta, estava bem no meio de um pequeno palco, de frente para uma menina desconhecida. Foi parar ali graças a um forte empurrão de sua vó.
Ainda bem que a música era o Pezinho. Aquela muito conhecida, que diz: — Ai bota aqui, ai bota ali o teu pezinho...
Fácil não? Isso para todo mudo, para Pedro foi algo bem difícil. Esqueceu até de fazer o movimento de troca dos pés durante a dança. Apesar disso ganhou um pacote com amendoins açucarados. Felizmente o júri não era muito exigente.
Ainda recordando bons momentos do passado, saiu de perto da fogueira e foi conferir o que havia para comer. Viu com satisfação que chegou bem no horário em que as guloseimas da festa entraram em promoção. Pastéis, cachorrinhos-quente e pinhão. Tudo que ele mais gosta em uma festa junina, passou a ser vendido num preço muito baixo.
O problema é que Pedro não é mais um guri e deve evitar exageros na alimentação, mas as ofertas eram iressistíveis. Ele pensou em sua pressão alta, nos quilos a mais e como sempre decidiu que tudo poderia ser compensado nos dias seguintes. Claro que este pensamento mágico era a forma que ele encontrou para diminuir o peso na consciência.
E assim, livre de qualquer culpa, dirigiu-se ao pequeno guichê e pediu um punhado de fichas. A todo momento era visto na copa, hora pegando uma coisa, hora pegando outra. E no intervalo de cada aquisição, voltava para perto da fogueira e pensava com saudades nas coisas boas que viveu durante sua infância.






