segunda-feira, 2 de julho de 2018

Festa de São João




No domingo à tarde. Logo após ver o último jogo do dia pela Copa do Mundo, Pedro decidiu conferir o final da festa junina que estava acontecendo na pequena capela do bairro onde mora. Queria ver a fogueira de São João.

Deu sorte, quando chegou, o pessoal recém estava acendendo o fogo. Enquanto as chamas cresciam lentamente, lembrou de algumas festas juninas de seu tempo de criança.

A mais antiga, que hoje é praticamente um borrão em sua memória, foi uma que sua vó o levou. Ele era bem novo, provavelmente ainda não havia completado dez anos. A única lembrança que ele tem desta festa é que em determinado momento o pessoal que estava organizando o evento anunciou que quem dançasse uma música ganharia um presente. Quando se deu conta, estava bem no meio de um pequeno palco, de frente para uma menina desconhecida. Foi parar ali graças a um forte empurrão de sua vó.

Ainda bem que a música era o Pezinho. Aquela muito conhecida, que diz: — Ai bota aqui, ai bota ali o teu pezinho...

Fácil não? Isso para todo mudo, para Pedro foi algo bem difícil. Esqueceu até de fazer o movimento de troca dos pés durante a dança. Apesar disso ganhou um pacote com amendoins açucarados. Felizmente o júri não era muito exigente.

Ainda recordando bons momentos do passado, saiu de perto da fogueira e foi conferir o que havia para comer. Viu com satisfação que chegou bem no horário em que as guloseimas da festa entraram em promoção. Pastéis, cachorrinhos-quente e pinhão. Tudo que ele mais gosta em uma festa junina, passou a ser vendido num preço muito  baixo.

O problema é que Pedro não é mais um guri e deve evitar exageros na alimentação, mas as ofertas eram iressistíveis. Ele pensou em sua pressão alta, nos quilos a mais e como sempre decidiu que tudo poderia ser compensado nos dias seguintes. Claro que este pensamento mágico era a forma que ele encontrou para diminuir o peso na consciência.

E assim, livre de qualquer culpa, dirigiu-se ao pequeno guichê e pediu um punhado de fichas. A todo momento era visto na copa, hora pegando uma coisa, hora pegando outra. E no intervalo de cada aquisição, voltava para perto da fogueira e pensava com saudades nas coisas boas que viveu durante sua infância.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Enigmas




Na área do Farol de Cabo Polonio há um pequeno painel mostrando a data de alguns naufrágios ocorridos no local. O mais recente é de 1971, do cargueiro brasileiro Taquari, carregado de produtos químicos.

A história deste naufrágio está coberta de polêmicas e mistérios. O dia era bom, o mar estava calmo e o  navio acelerou até bater nas rochas de uma pequena ilhota que existe ali. Para complicar um pouco mais a história, não se sabe exatamente que fim levou o carregamento.

Na época circulavam denúncias de que o Atlântico Sul era uma espécie de depósito de lixo onde empresas multinacionais lançavam produtos perigosos. Em 1973 ficou famoso o episódio do navio finlandês Enskeri que tentou despejar 100 toneladas de arsênico na região, mas foi obrigado a retornar à Europa devido à pressão internacional.

Talvez por isso muitos chamaram o Taquari de navio radioativo e devido a falta de informações, a famosa e mal explicada maré vermelha que ocorreu em 1978 na praia gaúcha de Hermenegildo, foi associada a este naufrágio.

A explicação de um fenômeno natural, desde o início, não foi aceita por boa parte da comunidade científica e uma das versões alternativas para a mortandade de mariscos, gatos, cachorros, galinhas e até cavalos é a de que um potente herbicida teria vazado dos porões do navio brasileiro, principalmente porque na véspera da maré vermelha uma tempestade terminou de afundar a embarcação.

Para aumentar ainda mais o mistério, durante a ocorrência deste evento, um corpo humano sem cabeça foi encontrado nas areias do balneário.

Vegetação aparentemente queimada por produtos químicos? Mariscos que não ficavam podres mesmo mortos há mais de 30 dias? Animais mortos? Corpo sem cabeça? Mar vermelho? Naufrágio de um navio "radioativo"?

O Cabo Polônio é um lugar lindo e também pode ter sido o local onde nasceu um dos grandes enigmas do Rio Grande do Sul.

domingo, 18 de março de 2018

A água do momento



Ontem à noite vi uma reportagem mostrando um vazamento de restos tóxicos de mineração no rio Muripi, no Pará. Hoje pela manhã, com preguiça de sair de casa, liguei a tv em um programa dedicado ao esporte e assisti uma matéria feita no Espírito Santo, na região onde o Rio Doce desemboca no mar. Após dois anos do grave acidente ambiental ocorrido lá, o rio continua morto.

Sem dúvida a vida melhorou muito com o progresso, com as indústrias e a tecnologia. A grande prova disso é que estamos vivendo mais tempo neste planeta. Pena que para conseguir isso, estamos degradando tanto o meio ambiente.

Os problemas ambientais não se resumem apenas a fatos isolados ou acidentes. O dia a dia da sociedade humana tem efeitos devastadores sobre a natureza. É a poluição do ar através das chaminés das fábricas e dos canos de escapamento dos automóveis. Há também o desmatamento, a pesca predatória e o problema do lixo entre tantas outras coisas. Parece que o ser humano não consegue viver sem produzir efeitos negativos na natureza.

Só que cada vez mais a poluição produzida pela atividade do homem está se voltando contra ele mesmo. Atualmente em Porto Alegre temos um grande exemplo disso. Devido a contaminação do Lago Guaíba, a água que sai das torneiras dos moradores da capital gaúcha é de péssima qualidade. É ruim para escovar os dentes, imagina beber. O departamento municipal de água e esgoto afirma que apesar do mal gosto e cheiro, a água fornecida não prejudica a saúde.

É difícil de acreditar. Muitos porto-alegrenses estão comprando água mineral nos mercados. As produtoras e os estabelecimentos comerciais devem estar bem satisfeitos com esta situação.

No condomínio onde moro foi instalada uma máquina que promete purificar a água. Não sei se funciona, mas pelo menos o gosto da água é melhor. Talvez menos ruim seja uma definição mais adequada. É até estranho falarmos em gosto da água, pois este líquido não deveria ter sabor algum.

Na bela manhã deste domingo, uma das minhas primeiras atividades foi pegar uma galão vazio de água mineral e enchê-lo na máquina. Pode não ser o ideal, mas já que não dá para ficar sem beber água, é o que temos para o momento.

Facilitando a comunicação




A placa em um bar do Cabo Polonio diz que "Não temos wifi mas temos cerveja, que faz a comunicação mais fácil." Acho que não há como negar a verdade desta afirmação.

sábado, 17 de março de 2018

Túnel Verde




A RS-040 é a rodovia que liga a cidade de Viamão ao litoral norte do Rio Grande do Sul. Por volta do ano de 1937 o ex-proprietário da Fazenda Pinhal e histórico morador da região, Francisco Segura Garcia, plantou no acostamento da via centenas de mudas de eucalipto da espécie robusta. O crescimento das árvores fez surgir uma paisagem única pois 2800 metros da estrada foram completamente cobertos por copas das árvores que se entrelaçaram. No final da década de 1990, a prefeitura do Balneário Pinhal plantou mais 60 mil mudas de eucalipto visando aumentar a extensão do túnel verde para cerca de 3500 metros. É uma atração muito legal para os usuários da estrada.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Acordando com os pássaros



Em minha última passagem pela Praia de Tramandaí fiquei em um quarto localizado no segundo andar de um prédio. A janela era de frente para uma grande árvore onde habitam muitos pássaros. Todo dia, em algum momento entre às cinco e às seis horas da manhã, fui acordado pela algazarra que eles faziam.

No início fiquei chateado. — Será que estes pássaros precisam ser tão barulhentos?

Então lembrei de muitas coisas que me acordam durante à noite. Uma festa interminável e extremamente sonora, o alarme mal regulado de um automóvel e o triste espocar de armas em tiroteios noturnos tão frequentes no bairro onde moro.

Também tem sido desanimador despertar com a notícia de uma barbárie nova a cada dia. Uma pior que a outra. Os fatos que têm ocorrido nos últimos dias nos tiram a esperança de um futuro bom para nosso país. O Brasil perdeu o rumo, está desgovernado e demorará um longo tempo para reencontrar um caminho mais digno.

Ao pensar em todas estas coisas percebi como é bom acordar com o alegre e inocente estardalhaço dos passarinhos, mesmo que seja às cinco horas da manhã. 

Recompensa



Pagando uma pequena taxa, você pode subir no farol do Cabo Polonio e, lá de cima, numa altura de 40 metros, apreciar a paisagem. O esforço é grande. Quem não está acostumado tem que demonstrar bravura para chegar ao topo, mas não há dúvidas, a vista recompensa todo empenho empregado.