domingo, 18 de março de 2018

A água do momento



Ontem à noite vi uma reportagem mostrando um vazamento de restos tóxicos de mineração no rio Muripi, no Pará. Hoje pela manhã, com preguiça de sair de casa, liguei a tv em um programa dedicado ao esporte e assisti uma matéria feita no Espírito Santo, na região onde o Rio Doce desemboca no mar. Após dois anos do grave acidente ambiental ocorrido lá, o rio continua morto.

Sem dúvida a vida melhorou muito com o progresso, com as indústrias e a tecnologia. A grande prova disso é que estamos vivendo mais tempo neste planeta. Pena que para conseguir isso, estamos degradando tanto o meio ambiente.

Os problemas ambientais não se resumem apenas a fatos isolados ou acidentes. O dia a dia da sociedade humana tem efeitos devastadores sobre a natureza. É a poluição do ar através das chaminés das fábricas e dos canos de escapamento dos automóveis. Há também o desmatamento, a pesca predatória e o problema do lixo entre tantas outras coisas. Parece que o ser humano não consegue viver sem produzir efeitos negativos na natureza.

Só que cada vez mais a poluição produzida pela atividade do homem está se voltando contra ele mesmo. Atualmente em Porto Alegre temos um grande exemplo disso. Devido a contaminação do Lago Guaíba, a água que sai das torneiras dos moradores da capital gaúcha é de péssima qualidade. É ruim para escovar os dentes, imagina beber. O departamento municipal de água e esgoto afirma que apesar do mal gosto e cheiro, a água fornecida não prejudica a saúde.

É difícil de acreditar. Muitos porto-alegrenses estão comprando água mineral nos mercados. As produtoras e os estabelecimentos comerciais devem estar bem satisfeitos com esta situação.

No condomínio onde moro foi instalada uma máquina que promete purificar a água. Não sei se funciona, mas pelo menos o gosto da água é melhor. Talvez menos ruim seja uma definição mais adequada. É até estranho falarmos em gosto da água, pois este líquido não deveria ter sabor algum.

Na bela manhã deste domingo, uma das minhas primeiras atividades foi pegar uma galão vazio de água mineral e enchê-lo na máquina. Pode não ser o ideal, mas já que não dá para ficar sem beber água, é o que temos para o momento.

Facilitando a comunicação




A placa em um bar do Cabo Polonio diz que "Não temos wifi mas temos cerveja, que faz a comunicação mais fácil." Acho que não há como negar a verdade desta afirmação.

sábado, 17 de março de 2018

Túnel Verde




A RS-040 é a rodovia que liga a cidade de Viamão ao litoral norte do Rio Grande do Sul. Por volta do ano de 1937 o ex-proprietário da Fazenda Pinhal e histórico morador da região, Francisco Segura Garcia, plantou no acostamento da via centenas de mudas de eucalipto da espécie robusta. O crescimento das árvores fez surgir uma paisagem única pois 2800 metros da estrada foram completamente cobertos por copas das árvores que se entrelaçaram. No final da década de 1990, a prefeitura do Balneário Pinhal plantou mais 60 mil mudas de eucalipto visando aumentar a extensão do túnel verde para cerca de 3500 metros. É uma atração muito legal para os usuários da estrada.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Acordando com os pássaros



Em minha última passagem pela Praia de Tramandaí fiquei em um quarto localizado no segundo andar de um prédio. A janela era de frente para uma grande árvore onde habitam muitos pássaros. Todo dia, em algum momento entre às cinco e às seis horas da manhã, fui acordado pela algazarra que eles faziam.

No início fiquei chateado. — Será que estes pássaros precisam ser tão barulhentos?

Então lembrei de muitas coisas que me acordam durante à noite. Uma festa interminável e extremamente sonora, o alarme mal regulado de um automóvel e o triste espocar de armas em tiroteios noturnos tão frequentes no bairro onde moro.

Também tem sido desanimador despertar com a notícia de uma barbárie nova a cada dia. Uma pior que a outra. Os fatos que têm ocorrido nos últimos dias nos tiram a esperança de um futuro bom para nosso país. O Brasil perdeu o rumo, está desgovernado e demorará um longo tempo para reencontrar um caminho mais digno.

Ao pensar em todas estas coisas percebi como é bom acordar com o alegre e inocente estardalhaço dos passarinhos, mesmo que seja às cinco horas da manhã. 

Recompensa



Pagando uma pequena taxa, você pode subir no farol do Cabo Polonio e, lá de cima, numa altura de 40 metros, apreciar a paisagem. O esforço é grande. Quem não está acostumado tem que demonstrar bravura para chegar ao topo, mas não há dúvidas, a vista recompensa todo empenho empregado.


terça-feira, 13 de março de 2018

Cabo Polonio - Uma breve história



Muitas histórias e lendas são contadas a respeito de Cabo Polonio. Até a origem de seu nome gera divergências. Alguns dizem que a denominação veio do naufrágio de um galeão espanhol de nome Polonio que teria ocorrido em 1735. Outros defendem uma história um pouco diferente, porém mais completa e antiga. Afirmam que por volta de 1700 uma embarcação proveniente de Cadiz, na Espanha, foi a pique na região. O nome do comandante deste navio era Joseph Pollioni e o local passou a ser conhecido como Cabo Polonio em homenagem a ele.

O certo é que aos poucos o Cabo Polonio passou a servir de moradia de navegadores e pescadores. O que não mudou foi o fato do local continuar a ser um cenário de grandes tragédias marítimas. O medo de navegar pelas águas tão perigosas da região persistiu mesmo após a construção do farol em 1881. Claro que a partir daí os navegadores passaram a ter uma luz para orientá-los nas noites escuras em alto mar.

Atualmente o Farol do Cabo Polonio é uma das atrações do local. Em 1976 ele foi declarado como Monumento Histórico pelo Governo Uruguaio.

domingo, 11 de março de 2018

4 x 4



Não dá para chegar de automóvel até a praia do Cabo Polonio. O trajeto da entrada do parque até a beira do mar é feita por uma trilha que passa entre dunas de areias e um carro comum não conseguiria chegar ao destino. Por isso é necessário deixar o veículo no estacionamento que existe lá e pegar um dos 4 x 4 que fazem o percurso em aproximadamente meia hora.

O passeio é muito divertido pois o "bicho" sacode muito, principalmente para quem vai na parte superior do caminhão. Se você quiser evitar uma pequena tragédia, não faça esta pequena viagem de barriga cheia. Fica a dica.

sábado, 10 de março de 2018

Cabo Polonio



Nossa pequena aventura no Uruguai realmente começou quando visitamos o Parque Nacional Cabo Polonio. O lugar é conhecido por sua beleza e também por ser bem rústico.

Todas as pesquisas que fiz afirmaram que o Cabo Polonio é um lugar ermo, sem eletricidade e nem wi-fi.

Para minha surpresa não é bem assim. Lá existe pelo menos um ponto de wi-fi disponibilizado pelo governo uruguaio.

É que hoje em dia é praticamente impossível para muitas pessoas ficarem sem se conectar com o mundo por alguns dias ou mesmo horas.

Ainda bem que a melhor conexão que se tem em Cabo Polonio continua sendo com a natureza. E é isto que será mostrado nas próximas postagens.

terça-feira, 6 de março de 2018

Uma churrasqueira diferente



Uma coisa que achei muito curioso nesta breve viagem ao Uruguai foram as churrasqueiras deles. Parecem mais com uma lareira. Elas são planas, sem aquele buraco para por carvão. O espeto não é utilizado. Há uma estrutura toda diferente para por a carne. Para o fogo, somente lenha.

Na casa em que fiquei em La Paloma, esta churrasqueira ficava dentro de casa. No inverno deve ser ótimo. Isso para quem não se importa em aspirar um pouco de fumaça. No verão acho que os ocupantes da moradia devem ficar um pouco acalorados. Infelizmente não tive o prazer de ver ninguém assando uma boa carne uruguaia  durante o tempo em que fiquei por lá.

segunda-feira, 5 de março de 2018

La Paloma



Apesar de ser um destino muito procurado, nós apenas dormimos em La Paloma. Dizem que o nome do balneário foi colocado por antigos navegantes que viam de dentro do mar a silueta de uma pomba (paloma) na beira da praia.

Não observamos isso, apenas conhecemos o centro da pequena localidade durante uma saída à noite. A principal avenida é a Solari. É nela que se encontram as lojas, bares e restaurantes  mais importantes. Tem até um pequeno cassino do Governo do Uruguai.

A casa onde paramos para dormir ficava fora do agito. Praticamente numa zona rural. As ruas eram de terra. Não havia luzes nos postes. À noite tudo ficava muito escuro. As poucas pessoas que saíam a pé obrigatoriamente utilizavam fortes lanternas.

Pensei em praias do Rio Grande do Sul, como Cidreira e Tramandaí. Imaginei o tamanho da gritaria devido as ruas sem calçadas, pavimentação e iluminação.

Lá o estilo de vida parece ser outro. Menos agitado e um bocado rústico. O lugar era bem isolado. Ao acordar se ouvia apenas os pássaros e levemente o barulho do mar.

Muitas casas eram semelhantes a esta da foto. Cercada por árvores, o telhado feito com um material parecido com feno. Os mais novos tinham este tom esverdeado, os mais antigos eram cinza. Praticamente todas com chaminé. O inverno deve ser muito difícil por lá sem o fogo amigo de uma lareira.

Lamentei não ter conhecido as praias de La Paloma, mas gostei bastante da experiência que tive por lá.

Manhã no Parcão



Uma manhã no Parque Moinhos de Vento,
mais conhecido como Parcão, em Porto Alegre.

domingo, 4 de março de 2018

O destino do Cathay VIII



Na manhã de 15 de setembro de 1977, os habitantes de La Pedrera foram surpreendidos com uma visão muito diferente na beira do mar. Uma embarcação de pesca chinesa que viajava pelo Atlântico Sul, chamada Cathay VIII, repousava praticamente sobre a areia da praia.

O barco era relativamente grande e novo. Com problemas no motor, durante uma forte tempestade, foi jogado para fora da água e ficou preso perto do perigoso ponto rochoso de La Pedrera. A boa notícia é que seus 21 tripulantes sobreviveram.

Os membros da tripulação foram bem tratados pela comunidade. Enquanto esperavam para voltar para Taiwan receberam comida e abrigo dos moradores locais.

Durante o verão de 1978 foram feitas várias tentativas para salvar o barco. Os esforços foram infrutíferos e o resgate tornou-se inviável.

Então parte do navio foi desmontado. Com o passar do tempo a água salgada passou a destruir os restos da embarcação e o que sobrou dela descansa sobre as areias da agora chamada Praya Del Barco.

Atualmente o Cathay VIII é uma das atrações de La Pedrera. 

Esculturas



Esculturas criadas pela erosão das ondas
do mar nas pedras pré-históricas de La Pedrera.

sábado, 3 de março de 2018

Playa Del Barco



Nos dias anteriores a viagem ao Uruguai pesquisei no Google curiosidades e atrações sobre os lugares que iríamos passar. Me senti atraído pela Playa Del Barco, em La Pedrera. É que gosto de histórias sobre o mar e ver o resto da carcaça enferrujada de um barco na beira da praia me pareceu algo bem emocionante. Inclusive a praia tem este nome porque parte dos destroços da embarcação Cathay VIII, que encalhou ali em 1977, permancem no local até hoje. É dificil ver na imagem, mas é a estrutura triangular ao lado do mar no fundo da foto. Numa próxima postagem contarei esta história melhor.

A praia é bastante procurada por surfistas que acreditam encontrar ali a "tal" de onda perfeita. Realmente as ondas são fortes e ela tem uma inclinação bastante pronunciada. É um pouco difícil até para caminhar.

sexta-feira, 2 de março de 2018

La Pedrera



Nas férias deste ano fiz uma viagem de carro entre Porto Alegre e Colonia del Sacramento, no Uruguai. Uma distância de quase 1000 quilômetros. Claro que não fui direto. Aproveitei para conhecer algumas praias do litoral uruguaio e um pouco de Montevidéu, a capital do país. Tudo em oito dias.

Uma das primeiras localidades que visitei foi La Pedrera. Ela é a mais antiga das praias do Departamento de Rocha. Está localizada em uma falésia de rochas a quarenta metros sobre o nível do mar.

A vista do oceano quando se está na pequena avenida beira-mar é espetacular. A erosão provocadas pelas fortes ondas entalhou formações interessantes nas pedras pré-históricas que se destacam sobre o mar de cor verde turquesa. Além da beleza, nelas também são encontrados fósseis de grande valor arqueológico.