segunda-feira, 2 de julho de 2018

Festa de São João




No domingo à tarde. Logo após ver o último jogo do dia pela Copa do Mundo, Pedro decidiu conferir o final da festa junina que estava acontecendo na pequena capela do bairro onde mora. Queria ver a fogueira de São João.

Deu sorte, quando chegou, o pessoal recém estava acendendo o fogo. Enquanto as chamas cresciam lentamente, lembrou de algumas festas juninas de seu tempo de criança.

A mais antiga, que hoje é praticamente um borrão em sua memória, foi uma que sua vó o levou. Ele era bem novo, provavelmente ainda não havia completado dez anos. A única lembrança que ele tem desta festa é que em determinado momento o pessoal que estava organizando o evento anunciou que quem dançasse uma música ganharia um presente. Quando se deu conta, estava bem no meio de um pequeno palco, de frente para uma menina desconhecida. Foi parar ali graças a um forte empurrão de sua vó.

Ainda bem que a música era o Pezinho. Aquela muito conhecida, que diz: — Ai bota aqui, ai bota ali o teu pezinho...

Fácil não? Isso para todo mudo, para Pedro foi algo bem difícil. Esqueceu até de fazer o movimento de troca dos pés durante a dança. Apesar disso ganhou um pacote com amendoins açucarados. Felizmente o júri não era muito exigente.

Ainda recordando bons momentos do passado, saiu de perto da fogueira e foi conferir o que havia para comer. Viu com satisfação que chegou bem no horário em que as guloseimas da festa entraram em promoção. Pastéis, cachorrinhos-quente e pinhão. Tudo que ele mais gosta em uma festa junina, passou a ser vendido num preço muito  baixo.

O problema é que Pedro não é mais um guri e deve evitar exageros na alimentação, mas as ofertas eram iressistíveis. Ele pensou em sua pressão alta, nos quilos a mais e como sempre decidiu que tudo poderia ser compensado nos dias seguintes. Claro que este pensamento mágico era a forma que ele encontrou para diminuir o peso na consciência.

E assim, livre de qualquer culpa, dirigiu-se ao pequeno guichê e pediu um punhado de fichas. A todo momento era visto na copa, hora pegando uma coisa, hora pegando outra. E no intervalo de cada aquisição, voltava para perto da fogueira e pensava com saudades nas coisas boas que viveu durante sua infância.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Enigmas




Na área do Farol de Cabo Polonio há um pequeno painel mostrando a data de alguns naufrágios ocorridos no local. O mais recente é de 1971, do cargueiro brasileiro Taquari, carregado de produtos químicos.

A história deste naufrágio está coberta de polêmicas e mistérios. O dia era bom, o mar estava calmo e o  navio acelerou até bater nas rochas de uma pequena ilhota que existe ali. Para complicar um pouco mais a história, não se sabe exatamente que fim levou o carregamento.

Na época circulavam denúncias de que o Atlântico Sul era uma espécie de depósito de lixo onde empresas multinacionais lançavam produtos perigosos. Em 1973 ficou famoso o episódio do navio finlandês Enskeri que tentou despejar 100 toneladas de arsênico na região, mas foi obrigado a retornar à Europa devido à pressão internacional.

Talvez por isso muitos chamaram o Taquari de navio radioativo e devido a falta de informações, a famosa e mal explicada maré vermelha que ocorreu em 1978 na praia gaúcha de Hermenegildo, foi associada a este naufrágio.

A explicação de um fenômeno natural, desde o início, não foi aceita por boa parte da comunidade científica e uma das versões alternativas para a mortandade de mariscos, gatos, cachorros, galinhas e até cavalos é a de que um potente herbicida teria vazado dos porões do navio brasileiro, principalmente porque na véspera da maré vermelha uma tempestade terminou de afundar a embarcação.

Para aumentar ainda mais o mistério, durante a ocorrência deste evento, um corpo humano sem cabeça foi encontrado nas areias do balneário.

Vegetação aparentemente queimada por produtos químicos? Mariscos que não ficavam podres mesmo mortos há mais de 30 dias? Animais mortos? Corpo sem cabeça? Mar vermelho? Naufrágio de um navio "radioativo"?

O Cabo Polônio é um lugar lindo e também pode ter sido o local onde nasceu um dos grandes enigmas do Rio Grande do Sul.

domingo, 18 de março de 2018

A água do momento



Ontem à noite vi uma reportagem mostrando um vazamento de restos tóxicos de mineração no rio Muripi, no Pará. Hoje pela manhã, com preguiça de sair de casa, liguei a tv em um programa dedicado ao esporte e assisti uma matéria feita no Espírito Santo, na região onde o Rio Doce desemboca no mar. Após dois anos do grave acidente ambiental ocorrido lá, o rio continua morto.

Sem dúvida a vida melhorou muito com o progresso, com as indústrias e a tecnologia. A grande prova disso é que estamos vivendo mais tempo neste planeta. Pena que para conseguir isso, estamos degradando tanto o meio ambiente.

Os problemas ambientais não se resumem apenas a fatos isolados ou acidentes. O dia a dia da sociedade humana tem efeitos devastadores sobre a natureza. É a poluição do ar através das chaminés das fábricas e dos canos de escapamento dos automóveis. Há também o desmatamento, a pesca predatória e o problema do lixo entre tantas outras coisas. Parece que o ser humano não consegue viver sem produzir efeitos negativos na natureza.

Só que cada vez mais a poluição produzida pela atividade do homem está se voltando contra ele mesmo. Atualmente em Porto Alegre temos um grande exemplo disso. Devido a contaminação do Lago Guaíba, a água que sai das torneiras dos moradores da capital gaúcha é de péssima qualidade. É ruim para escovar os dentes, imagina beber. O departamento municipal de água e esgoto afirma que apesar do mal gosto e cheiro, a água fornecida não prejudica a saúde.

É difícil de acreditar. Muitos porto-alegrenses estão comprando água mineral nos mercados. As produtoras e os estabelecimentos comerciais devem estar bem satisfeitos com esta situação.

No condomínio onde moro foi instalada uma máquina que promete purificar a água. Não sei se funciona, mas pelo menos o gosto da água é melhor. Talvez menos ruim seja uma definição mais adequada. É até estranho falarmos em gosto da água, pois este líquido não deveria ter sabor algum.

Na bela manhã deste domingo, uma das minhas primeiras atividades foi pegar uma galão vazio de água mineral e enchê-lo na máquina. Pode não ser o ideal, mas já que não dá para ficar sem beber água, é o que temos para o momento.

Facilitando a comunicação




A placa em um bar do Cabo Polonio diz que "Não temos wifi mas temos cerveja, que faz a comunicação mais fácil." Acho que não há como negar a verdade desta afirmação.

sábado, 17 de março de 2018

Túnel Verde




A RS-040 é a rodovia que liga a cidade de Viamão ao litoral norte do Rio Grande do Sul. Por volta do ano de 1937 o ex-proprietário da Fazenda Pinhal e histórico morador da região, Francisco Segura Garcia, plantou no acostamento da via centenas de mudas de eucalipto da espécie robusta. O crescimento das árvores fez surgir uma paisagem única pois 2800 metros da estrada foram completamente cobertos por copas das árvores que se entrelaçaram. No final da década de 1990, a prefeitura do Balneário Pinhal plantou mais 60 mil mudas de eucalipto visando aumentar a extensão do túnel verde para cerca de 3500 metros. É uma atração muito legal para os usuários da estrada.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Acordando com os pássaros



Em minha última passagem pela Praia de Tramandaí fiquei em um quarto localizado no segundo andar de um prédio. A janela era de frente para uma grande árvore onde habitam muitos pássaros. Todo dia, em algum momento entre às cinco e às seis horas da manhã, fui acordado pela algazarra que eles faziam.

No início fiquei chateado. — Será que estes pássaros precisam ser tão barulhentos?

Então lembrei de muitas coisas que me acordam durante à noite. Uma festa interminável e extremamente sonora, o alarme mal regulado de um automóvel e o triste espocar de armas em tiroteios noturnos tão frequentes no bairro onde moro.

Também tem sido desanimador despertar com a notícia de uma barbárie nova a cada dia. Uma pior que a outra. Os fatos que têm ocorrido nos últimos dias nos tiram a esperança de um futuro bom para nosso país. O Brasil perdeu o rumo, está desgovernado e demorará um longo tempo para reencontrar um caminho mais digno.

Ao pensar em todas estas coisas percebi como é bom acordar com o alegre e inocente estardalhaço dos passarinhos, mesmo que seja às cinco horas da manhã. 

Recompensa



Pagando uma pequena taxa, você pode subir no farol do Cabo Polonio e, lá de cima, numa altura de 40 metros, apreciar a paisagem. O esforço é grande. Quem não está acostumado tem que demonstrar bravura para chegar ao topo, mas não há dúvidas, a vista recompensa todo empenho empregado.


terça-feira, 13 de março de 2018

Cabo Polonio - Uma breve história



Muitas histórias e lendas são contadas a respeito de Cabo Polonio. Até a origem de seu nome gera divergências. Alguns dizem que a denominação veio do naufrágio de um galeão espanhol de nome Polonio que teria ocorrido em 1735. Outros defendem uma história um pouco diferente, porém mais completa e antiga. Afirmam que por volta de 1700 uma embarcação proveniente de Cadiz, na Espanha, foi a pique na região. O nome do comandante deste navio era Joseph Pollioni e o local passou a ser conhecido como Cabo Polonio em homenagem a ele.

O certo é que aos poucos o Cabo Polonio passou a servir de moradia de navegadores e pescadores. O que não mudou foi o fato do local continuar a ser um cenário de grandes tragédias marítimas. O medo de navegar pelas águas tão perigosas da região persistiu mesmo após a construção do farol em 1881. Claro que a partir daí os navegadores passaram a ter uma luz para orientá-los nas noites escuras em alto mar.

Atualmente o Farol do Cabo Polonio é uma das atrações do local. Em 1976 ele foi declarado como Monumento Histórico pelo Governo Uruguaio.

domingo, 11 de março de 2018

4 x 4



Não dá para chegar de automóvel até a praia do Cabo Polonio. O trajeto da entrada do parque até a beira do mar é feita por uma trilha que passa entre dunas de areias e um carro comum não conseguiria chegar ao destino. Por isso é necessário deixar o veículo no estacionamento que existe lá e pegar um dos 4 x 4 que fazem o percurso em aproximadamente meia hora.

O passeio é muito divertido pois o "bicho" sacode muito, principalmente para quem vai na parte superior do caminhão. Se você quiser evitar uma pequena tragédia, não faça esta pequena viagem de barriga cheia. Fica a dica.

sábado, 10 de março de 2018

Cabo Polonio



Nossa pequena aventura no Uruguai realmente começou quando visitamos o Parque Nacional Cabo Polonio. O lugar é conhecido por sua beleza e também por ser bem rústico.

Todas as pesquisas que fiz afirmaram que o Cabo Polonio é um lugar ermo, sem eletricidade e nem wi-fi.

Para minha surpresa não é bem assim. Lá existe pelo menos um ponto de wi-fi disponibilizado pelo governo uruguaio.

É que hoje em dia é praticamente impossível para muitas pessoas ficarem sem se conectar com o mundo por alguns dias ou mesmo horas.

Ainda bem que a melhor conexão que se tem em Cabo Polonio continua sendo com a natureza. E é isto que será mostrado nas próximas postagens.

terça-feira, 6 de março de 2018

Uma churrasqueira diferente



Uma coisa que achei muito curioso nesta breve viagem ao Uruguai foram as churrasqueiras deles. Parecem mais com uma lareira. Elas são planas, sem aquele buraco para por carvão. O espeto não é utilizado. Há uma estrutura toda diferente para por a carne. Para o fogo, somente lenha.

Na casa em que fiquei em La Paloma, esta churrasqueira ficava dentro de casa. No inverno deve ser ótimo. Isso para quem não se importa em aspirar um pouco de fumaça. No verão acho que os ocupantes da moradia devem ficar um pouco acalorados. Infelizmente não tive o prazer de ver ninguém assando uma boa carne uruguaia  durante o tempo em que fiquei por lá.

segunda-feira, 5 de março de 2018

La Paloma



Apesar de ser um destino muito procurado, nós apenas dormimos em La Paloma. Dizem que o nome do balneário foi colocado por antigos navegantes que viam de dentro do mar a silueta de uma pomba (paloma) na beira da praia.

Não observamos isso, apenas conhecemos o centro da pequena localidade durante uma saída à noite. A principal avenida é a Solari. É nela que se encontram as lojas, bares e restaurantes  mais importantes. Tem até um pequeno cassino do Governo do Uruguai.

A casa onde paramos para dormir ficava fora do agito. Praticamente numa zona rural. As ruas eram de terra. Não havia luzes nos postes. À noite tudo ficava muito escuro. As poucas pessoas que saíam a pé obrigatoriamente utilizavam fortes lanternas.

Pensei em praias do Rio Grande do Sul, como Cidreira e Tramandaí. Imaginei o tamanho da gritaria devido as ruas sem calçadas, pavimentação e iluminação.

Lá o estilo de vida parece ser outro. Menos agitado e um bocado rústico. O lugar era bem isolado. Ao acordar se ouvia apenas os pássaros e levemente o barulho do mar.

Muitas casas eram semelhantes a esta da foto. Cercada por árvores, o telhado feito com um material parecido com feno. Os mais novos tinham este tom esverdeado, os mais antigos eram cinza. Praticamente todas com chaminé. O inverno deve ser muito difícil por lá sem o fogo amigo de uma lareira.

Lamentei não ter conhecido as praias de La Paloma, mas gostei bastante da experiência que tive por lá.

Manhã no Parcão



Uma manhã no Parque Moinhos de Vento,
mais conhecido como Parcão, em Porto Alegre.

domingo, 4 de março de 2018

O destino do Cathay VIII



Na manhã de 15 de setembro de 1977, os habitantes de La Pedrera foram surpreendidos com uma visão muito diferente na beira do mar. Uma embarcação de pesca chinesa que viajava pelo Atlântico Sul, chamada Cathay VIII, repousava praticamente sobre a areia da praia.

O barco era relativamente grande e novo. Com problemas no motor, durante uma forte tempestade, foi jogado para fora da água e ficou preso perto do perigoso ponto rochoso de La Pedrera. A boa notícia é que seus 21 tripulantes sobreviveram.

Os membros da tripulação foram bem tratados pela comunidade. Enquanto esperavam para voltar para Taiwan receberam comida e abrigo dos moradores locais.

Durante o verão de 1978 foram feitas várias tentativas para salvar o barco. Os esforços foram infrutíferos e o resgate tornou-se inviável.

Então parte do navio foi desmontado. Com o passar do tempo a água salgada passou a destruir os restos da embarcação e o que sobrou dela descansa sobre as areias da agora chamada Praya Del Barco.

Atualmente o Cathay VIII é uma das atrações de La Pedrera. 

Esculturas



Esculturas criadas pela erosão das ondas
do mar nas pedras pré-históricas de La Pedrera.

sábado, 3 de março de 2018

Playa Del Barco



Nos dias anteriores a viagem ao Uruguai pesquisei no Google curiosidades e atrações sobre os lugares que iríamos passar. Me senti atraído pela Playa Del Barco, em La Pedrera. É que gosto de histórias sobre o mar e ver o resto da carcaça enferrujada de um barco na beira da praia me pareceu algo bem emocionante. Inclusive a praia tem este nome porque parte dos destroços da embarcação Cathay VIII, que encalhou ali em 1977, permancem no local até hoje. É dificil ver na imagem, mas é a estrutura triangular ao lado do mar no fundo da foto. Numa próxima postagem contarei esta história melhor.

A praia é bastante procurada por surfistas que acreditam encontrar ali a "tal" de onda perfeita. Realmente as ondas são fortes e ela tem uma inclinação bastante pronunciada. É um pouco difícil até para caminhar.

sexta-feira, 2 de março de 2018

La Pedrera



Nas férias deste ano fiz uma viagem de carro entre Porto Alegre e Colonia del Sacramento, no Uruguai. Uma distância de quase 1000 quilômetros. Claro que não fui direto. Aproveitei para conhecer algumas praias do litoral uruguaio e um pouco de Montevidéu, a capital do país. Tudo em oito dias.

Uma das primeiras localidades que visitei foi La Pedrera. Ela é a mais antiga das praias do Departamento de Rocha. Está localizada em uma falésia de rochas a quarenta metros sobre o nível do mar.

A vista do oceano quando se está na pequena avenida beira-mar é espetacular. A erosão provocadas pelas fortes ondas entalhou formações interessantes nas pedras pré-históricas que se destacam sobre o mar de cor verde turquesa. Além da beleza, nelas também são encontrados fósseis de grande valor arqueológico.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Resoluções




Não tem jeito! O hábito de levantar diariamente às cinco horas da manhã não me larga nem nos finais de semana ou nas férias. Posso não ter nenhuma obrigação para cumprir no dia e mesmo assim por volta das seis horas da manhã já estou de olhos bem abertos. Então ligo o rádio, fico ouvindo as notícias do início da manhã e continuo deitado por mais algum tempo curtindo uma preguiça muito gostosa.

Foi o que fiz no sábado de carnaval e achei muito engraçado ouvir uma repórter dizer que muitas pessoas estavam na beira da praia esperando pelo pôr do sol. Se o sol nem havia nascido, imagina quanto tempo elas iriam ficar lá até ele se pôr.

Sei que isso não atesta nada contra a profissional de comunicação. Falar ao vivo é algo bem complicado. É fácil nos atrapalharmos com as palavras.

O legal é que o programa era embalado por músicas cantadas pela Clara Nunes, a Clara Guerreira. A ótima intérprete que faleceu no ano de 1983 por complicações ocorridas durante uma cirurgia para retirar varizes da perna. Ela estava no auge e tinha só 40 anos. Uma pena.

Ao ouvir que " ... o mar serenou quando ela pisou na areia, quem samba na beira do mar é sereia ..." voltei no tempo, para época em que curtia muito esta música.

Lá pelas sete e meia, sem conseguir mais me "ajeitar" na cama, me arrumei, chamei minha esposa e junto com ela fui tomar o nosso tradicional café da manhã de sábado em uma padaria. Nada light. Uma chícara de café com leite acompanhando um prensado de presunto, queijo e ovo frito.

Sei que isso não ajuda tornar realidade uma das resoluções que tomei no final do ano — e também nas últimas viradas de ano — que é emagrecer. Dificulta obter sucesso no meu objetivo mas é muito bom.

Outra resolução importante que tomei foi a de ler bem mais em 2018. Felizmente esta estou conseguindo cumprir. No momento leio o 3º livro do ano. Posso afirmar que redescobri o prazer de ler.

Tomara que continue assim. Mais tempo perto dos livros e longe do computador, da internet e das redes sociais. Se conseguir isso, terei realizado uma grande coisa. Se emagrecer junto, será melhor ainda.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

É quase um sacrilégio




Hoje pela manhã a Praia de Ipanema estava espetacular. Falo de caminhar pelo calçadão, pois a poluição da água não permite banhos no local. Pelo menos para quem tem bom senso. Apesar disso, está cada vez mais comum ver pessoas pescando no Guaíba. Nesta amanhã um casal aproveitava a gostosa sombra das árvores enquanto esperava seus caniços fisgarem alguma coisa. Provavelmente a pesca era um pretexto para curtirem bons momentos na beira do lago. Não acredito no sucesso de pescarias que são feitas ali. Na verdade até teria receio de consumir estes peixes, ainda mais que não gosto de peixe mesmo. Seja qual for a prodedência dele.

Uma das curiosidades da caminhada desta manhã é que encontrei o ex-candidato a prefeito, Sebastião Melo. "Tava" lá, bem a vontade com seu chapéu de palha. Não pude deixar de pensar em como estaria Porto Alegre se ele tivesse vencido a eleição. Será que a capital gaúcha estaria menos abandonada e esculhambada? Não sei. Só sei é que o clima desta manhã estava realmente muito agradável. O vento fraco, a temperatura amena e o sol convidavam para uma boa caminhada. O pior é que fazia um bom tempo que não andava por ali e, para quem mora relativamente perto de Ipanema, isto é quase um sacrilégio.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Tudo muito rápido



Praia de Tramandaí, RS

O vento soprou forte. Os trovões fizeram muito barulho anunciando a chuva que não demorou a chegar. Tudo aconteceu numa velocidade muito grande e tudo também rapidamente terminou. Levou apenas alguns minutos para o vento, os trovões e a chuva passarem. Aos poucos as nuvens começaram a dissipar-se. O sol reapareceu e dois arcos-íris brilharam no céu da Praia de Tramandaí. 

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Um bom conselheiro




Sempre acreditei que devia pensar muito antes de tomar uma decisão. Cada passo deveria ser bem avaliado. Até que minha vida pareceu estacionar. Foi então que parei de planejar parte do rumo que devia seguir. Decidi dar lugar para o aleatório. Comecei a percorrer trajetórias que não conhecia totalmente. Algumas vezes entrei em labirintos difíceis de sair. Em outras descobri soluções e caminhos que jamais encontraria de outra forma. Aprendi que o acaso também pode ser um bom conselheiro.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Sem marcas de pegadas



Praia do Cardoso, Laguna, Santa Catarina

O verão está bombando. Um dia mais quente que o outro. Embora a previsão do tempo afirme que a temperatura vai cair nos próximos dias, continuo a contagem regressiva. Está chegando o dia de eu ir para o litoral. Penso nas agradáveis caminhadas na beira da praia, no momento em que o sol está nascendo e o mar parece acordar. É muito bom passear pela areia ainda intocada, sem marcas de pegadas.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

É muito bom



Praia de Tamandaí, RS

No verão é muito bom começar o dia caminhando à beira mar, principalmente ao lado de uma companhia.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

A flor de Dona Cecília




O sol do meio dia estava escaldante. Eu já caminhava há bastante tempo quando parei para tirar a foto de algumas flores que enfeitavam uma calçada.

Uma senhora, aparentando cerca de 80 anos, que estava no jardim da casa em frente ao canteiro, falou:

— Não é uma beleza. Fui em que plantou.

Eu concordei e ela se aproximou.

Disse que seu nome era Cecília, me mostrou o jardim que cuidava e durante quase meia hora não parou de falar. Sabia a história de cada plantinha que estava ali.

Eu sentia meu cérebro ferver embaixo do forte sol, porém não tive coragem de interrompê-la. Acho que fazia muito tempo que ninguém lhe dava ouvidos.

No final da conversa senti que havia fritado alguns neurônios, mas valeu a pena. Este pequeno sacrifício fez uma velha senhora sorrir com bastante alegria.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Quente e tranquila Porto Alegre



Praia de Tramandaí, RS

Sempre gostei de ir para as praias do litoral gaúcho durante o verão. Não conseguia imaginar minha vida passando os finais de semanas, sempre muito quentes, em Porto Alegre. Não importava os grandes engarrafamentos que enfrentava nas estradas. Tanto na ida, como na volta. O que valia era curtir o sábado e o domingo junto ao mar. O tempo passou, as multidões na praia aumentaram e minha vontade de sair da capital gaúcha nos finais de semana do verão diminuiu. Efeito da idade? — Pode ser. Hoje prefiro ficar na quente e tranquila Porto Alegre desta época do ano. 

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Benefícios e malefícios




Eu fiz a montagem desta foto há muitos anos. A inspiração apareceu quando decidi fazer uma arrumação em minhas coisas e percebi com surpresa o números de celulares fora de uso que tinha em casa.

O interessante é que não comprei nenhum. Todos foram adquiridos através de promoções da companhia de telefonia. Bastava eu concordar em não trocar de operadora no prazo de um ano que ganhava um.

Como não existe almoço grátis, é claro que o valor destes celulares estavam embutidos na conta. Mesmo sabendo disso, acreditava que valia a pena. Felizmente mudei de opinião e continuo com a mesma e boa engenhoca há bastante tempo.

Lembrei da foto ao ver que muitas pessoas ficaram preocupadas quando leram a notícia de que na virada de ano haveria uma atualização no WhatsApp e por isso ele deixaria de funcionar em alguns aparelhos. Quem possuísse alguns dos equipamentos afetados fatalmente teria que comprar um novo.

Eu não compartilhei desta angústia. Faz horas que meu celular perdeu este aplicativo.

É inegável que a tecnologia traz muitos benefícios para todos e aplicativos como o Whats facilitam muito a comunicação em nossos dias e até a tornam mais barata.

Infelizmente a tecnologia que torna mais fácil a vida de todos, de certa maneira também nos traz alguns malefícios. Com a desculpa de atualizações ou algo parecido, sempre dá um jeito de fazer com que gastemos um pouco — ou muito — de nosso suado dinheirinho. O aparelho que é novidade hoje, logo estará ultrapassado.

Pode ser um celular, computador, tv ou carro. Parece que sempre precisamos de algo mais novo para vivermos bem.

O pior é que isso vem acompanhado daquele marketing irritante de operadoras de tv ou telefonia, bancos e imobiliárias que ligam insistentemente ofertando alguma coisa.

Não entendo o sentido deste tipo de ação, pois ao receber a quarta ou quinta ligação falando da grande oportunidade que eu estou perdendo ao não adquir um determinado produto, já estou com raiva dele.

Como toda a regra tem excessão, uma vez o telemarketing me divertiu, após me dar um pequeno susto.

O celular tocou e eu atendi no reflexo, sem conferir o número que estava chamando. Uma voz feminina, muito agradável, me chamou pelo nome. Assim, direto, de forma bem pessoal. Após receber a confirmação de que era eu mesmo, a mulher disse que se chamava Cristiane e estava ligando para aperfeiçoar nosso relacionamento. Surpreso e meio confuso, até gaguejei:

— No-nosso relacionamento? Cristiane? Como assim?

Só então ela explicou que era do banco onde eu tinha conta e fez várias propostas de produtos que na minha opinião traziam vantagens muito maiores para a instituição financeira do que para mim. Aliviado, recusei o que estava sendo ofertado, agradeci e encerrei a ligação.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

A agonia de uma praça



A velha figueira em cima da pedra


Há quase vinte anos fui morar no bairro Jardim Vila Nova, zona sul de Porto Alegre. Lá conheci a praça Figueira da Pedra.

O nome pode parecer estranho para quem não conhece o local. É que lá existe uma bela figueira que cresceu em cima de uma grande rocha.

Era um bom local para curtir as manhãs ensolaradas dos domingos, pois apesar de pequena, ela possuía alguns atrativos interessantes.

O principal era um caminho que passava no meio de arbustos. Na primavera ficavam muito floridos.

Havia também uma grande quantidade de árvores. Nos dias de neblina era bonito passear no local e curtir o ar de mistério provocado pela névoa. Parecia uma cena de filme.

Na primavera abelhas, borboletas e pássaros faziam uma grande festa.


As abelhas sempre muito barulhentas


O local era uma espécie de refúgio em meio ao avanço urbano da região. Infelizmente já não é mais assim.

Parte das árvores e arbustos, que davam encanto ao lugar, foram foram cortados.


As flores deste caminho não existem mais

Atualmente a praça está com jeito de abandonada. Além de ficar muito tempo sem capina, virou local de descarte de lixo e de resto de material de construção.

Apesar disso, a Figueira continua firme em cima da pedra. Parece observar com muita tristeza e até um pouco assustada tudo que está acontecendo ao seu redor. É como se ela esperasse o momento ruim passar, não perdendo a esperança de que épocas melhores virão.

Por lembrar dos bons  e velhos tempos que passei na praça e torcer por um futuro mais promissor para ela — e para todos nós — é que dei o nome de Figueira da Pedra ao blog. Nele contarei um pouco do que tenho visto e ouvido por aí.

É na verdade uma pequena homenagem à velha Figueira, que para mim é um exemplo de superação e determinação em viver.