segunda-feira, 2 de abril de 2018

Enigmas




Na área do Farol de Cabo Polonio há um pequeno painel mostrando a data de alguns naufrágios ocorridos no local. O mais recente é de 1971, do cargueiro brasileiro Taquari, carregado de produtos químicos.

A história deste naufrágio está coberta de polêmicas e mistérios. O dia era bom, o mar estava calmo e o  navio acelerou até bater nas rochas de uma pequena ilhota que existe ali. Para complicar um pouco mais a história, não se sabe exatamente que fim levou o carregamento.

Na época circulavam denúncias de que o Atlântico Sul era uma espécie de depósito de lixo onde empresas multinacionais lançavam produtos perigosos. Em 1973 ficou famoso o episódio do navio finlandês Enskeri que tentou despejar 100 toneladas de arsênico na região, mas foi obrigado a retornar à Europa devido à pressão internacional.

Talvez por isso muitos chamaram o Taquari de navio radioativo e devido a falta de informações, a famosa e mal explicada maré vermelha que ocorreu em 1978 na praia gaúcha de Hermenegildo, foi associada a este naufrágio.

A explicação de um fenômeno natural, desde o início, não foi aceita por boa parte da comunidade científica e uma das versões alternativas para a mortandade de mariscos, gatos, cachorros, galinhas e até cavalos é a de que um potente herbicida teria vazado dos porões do navio brasileiro, principalmente porque na véspera da maré vermelha uma tempestade terminou de afundar a embarcação.

Para aumentar ainda mais o mistério, durante a ocorrência deste evento, um corpo humano sem cabeça foi encontrado nas areias do balneário.

Vegetação aparentemente queimada por produtos químicos? Mariscos que não ficavam podres mesmo mortos há mais de 30 dias? Animais mortos? Corpo sem cabeça? Mar vermelho? Naufrágio de um navio "radioativo"?

O Cabo Polônio é um lugar lindo e também pode ter sido o local onde nasceu um dos grandes enigmas do Rio Grande do Sul.