terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Benefícios e malefícios




Eu fiz a montagem desta foto há muitos anos. A inspiração apareceu quando decidi fazer uma arrumação em minhas coisas e percebi com surpresa o números de celulares fora de uso que tinha em casa.

O interessante é que não comprei nenhum. Todos foram adquiridos através de promoções da companhia de telefonia. Bastava eu concordar em não trocar de operadora no prazo de um ano que ganhava um.

Como não existe almoço grátis, é claro que o valor destes celulares estavam embutidos na conta. Mesmo sabendo disso, acreditava que valia a pena. Felizmente mudei de opinião e continuo com a mesma e boa engenhoca há bastante tempo.

Lembrei da foto ao ver que muitas pessoas ficaram preocupadas quando leram a notícia de que na virada de ano haveria uma atualização no WhatsApp e por isso ele deixaria de funcionar em alguns aparelhos. Quem possuísse alguns dos equipamentos afetados fatalmente teria que comprar um novo.

Eu não compartilhei desta angústia. Faz horas que meu celular perdeu este aplicativo.

É inegável que a tecnologia traz muitos benefícios para todos e aplicativos como o Whats facilitam muito a comunicação em nossos dias e até a tornam mais barata.

Infelizmente a tecnologia que torna mais fácil a vida de todos, de certa maneira também nos traz alguns malefícios. Com a desculpa de atualizações ou algo parecido, sempre dá um jeito de fazer com que gastemos um pouco — ou muito — de nosso suado dinheirinho. O aparelho que é novidade hoje, logo estará ultrapassado.

Pode ser um celular, computador, tv ou carro. Parece que sempre precisamos de algo mais novo para vivermos bem.

O pior é que isso vem acompanhado daquele marketing irritante de operadoras de tv ou telefonia, bancos e imobiliárias que ligam insistentemente ofertando alguma coisa.

Não entendo o sentido deste tipo de ação, pois ao receber a quarta ou quinta ligação falando da grande oportunidade que eu estou perdendo ao não adquir um determinado produto, já estou com raiva dele.

Como toda a regra tem excessão, uma vez o telemarketing me divertiu, após me dar um pequeno susto.

O celular tocou e eu atendi no reflexo, sem conferir o número que estava chamando. Uma voz feminina, muito agradável, me chamou pelo nome. Assim, direto, de forma bem pessoal. Após receber a confirmação de que era eu mesmo, a mulher disse que se chamava Cristiane e estava ligando para aperfeiçoar nosso relacionamento. Surpreso e meio confuso, até gaguejei:

— No-nosso relacionamento? Cristiane? Como assim?

Só então ela explicou que era do banco onde eu tinha conta e fez várias propostas de produtos que na minha opinião traziam vantagens muito maiores para a instituição financeira do que para mim. Aliviado, recusei o que estava sendo ofertado, agradeci e encerrei a ligação.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

A agonia de uma praça



A velha figueira em cima da pedra


Há quase vinte anos fui morar no bairro Jardim Vila Nova, zona sul de Porto Alegre. Lá conheci a praça Figueira da Pedra.

O nome pode parecer estranho para quem não conhece o local. É que lá existe uma bela figueira que cresceu em cima de uma grande rocha.

Era um bom local para curtir as manhãs ensolaradas dos domingos, pois apesar de pequena, ela possuía alguns atrativos interessantes.

O principal era um caminho que passava no meio de arbustos. Na primavera ficavam muito floridos.

Havia também uma grande quantidade de árvores. Nos dias de neblina era bonito passear no local e curtir o ar de mistério provocado pela névoa. Parecia uma cena de filme.

Na primavera abelhas, borboletas e pássaros faziam uma grande festa.


As abelhas sempre muito barulhentas


O local era uma espécie de refúgio em meio ao avanço urbano da região. Infelizmente já não é mais assim.

Parte das árvores e arbustos, que davam encanto ao lugar, foram foram cortados.


As flores deste caminho não existem mais

Atualmente a praça está com jeito de abandonada. Além de ficar muito tempo sem capina, virou local de descarte de lixo e de resto de material de construção.

Apesar disso, a Figueira continua firme em cima da pedra. Parece observar com muita tristeza e até um pouco assustada tudo que está acontecendo ao seu redor. É como se ela esperasse o momento ruim passar, não perdendo a esperança de que épocas melhores virão.

Por lembrar dos bons  e velhos tempos que passei na praça e torcer por um futuro mais promissor para ela — e para todos nós — é que dei o nome de Figueira da Pedra ao blog. Nele contarei um pouco do que tenho visto e ouvido por aí.

É na verdade uma pequena homenagem à velha Figueira, que para mim é um exemplo de superação e determinação em viver.